quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dê um salve a quem salvou o Brasil. Quem?

            Fim de 2009. A recessão que tomou o mundo em 2008 abalando economias desenvolvidas e subdesenvolvidas e fazendo milhares de milhões de pessoas pelo mundo todo perderem o emprego com países como os Estados Unidos e Inglaterra tendo indíces de desemprego nunca vistos desde a Grande Depressão que começou em 1929, bolsas de valores de todo o mundo caindo por terra fazendo diversas empresas falirem - empresas que, como a GM, eram um dos ícones do capitalismo. Com economias interligadas e extremamente dependentes de mercado interno, os países desenvolvidos viram um choque maior em suas economias: logo os que melhor representavam os benefícios do capitalismo agora viam seus contras com mendigos por suas ruas, indíces de criminalidade crescentes e pacotes de estímulo fiscal para tentar salvar os segmentos mais atingidos - com o automobilístico, e não só nos Estados Unidos e Alemanha, os gigantes do motor asiáticos como Toyota e Honda também viram suas vendas despencarem. 

            Países subdesenvolvidos também viram problemas, porém. Dependentes da exportação de produtos primários e secundários para os ricos, essas mesmas caíram e o desemprego chegou, com o setor industrial tendo os maiores problemas. E não foi só uma marolinha. No Brasil, por exemplo, no primeiro semestre de 2009 a produção industrial caiu pesados 13,9%, o que não é pouco para um país que via sua produção crescer estavelmente desde 2005. Não foi uma marolinha mas não chegou a ser um tsunami, porém: o Brasil se viu em fase de recuperação da crise no segundo semestre e durante ela não teve crescimento significativo do tão odiado desemprego. O país parece que sofreu um tipo de blindagem da crise, onde o otimismo excessivo de lideres quase empurrou o país para um semi-abismo, mas se manteu. 

            A economia brasileira se mostra com crescimento estável, indíces [relativamente] baixos de inflação e desemprego e uma melhora na renda real da população desde 2004, e agora com a descoberta do pré-sal tudo parece estar dando certo para o país do futuro que parece nunca chegar lá. Agora vamos voltar vinte anos atrás, em 1989: final do governo Sarney, época de hiperinflação e da falha do Plano Cruzado II, adotado depois do desapontamento com o Plano Cruzado – e resultou na moratória do país, em 1987. A inflação, no fim desse ano, teve média mensal de quase 29%, e os preços eram remarcados do dia para a noite, com a regra sendo para retirar três zeros da moeda (como dos 300 milhões de cruzados). Aí veio o governo Collor, lembrado até hoje por todos os brasileiros pelo congelamento das poupanças, e a contínua hiperinflação, numa crise que durou até o Plano Real em 1994. Se mostrou o plano econômico mais eficaz da história brasileira, e vemos hoje seu sucesso na prática, com o brasileiro tendo inflação estável, desemprego decrescente e uma renda não exatamente alta nem muito crescente, mas apresentando melhora. O Brasil virou uma economia estabilizada e seus sinais se tornaram claros a partir do governo de Lula – então seria ele o ‘tal’ reformador da economia brasileira? Vamos voltar a história. Em 1994, o Brasil era governado por Itamar Franco, e sua economia regida por experientes economistas que fizeram o Brasil voltar a crescer. O ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso, sendo ele quem dava as rédeas na economia e um dos arquitetos do Plano Real. Com o sucesso desse plano já naquele ano, ele foi eleito presidente, tendo que enfrentar um legado de estupidez e fracasso econômico de governos anteriores, com estados completamente devastados. A política corroída por corrupção em todas as suas estâncias, a inflação ainda dando suas caras, e indíces altíssimos de pobreza no Brasil – sem contar a dívida externa. Ele abriu as portas para os investimentos estrangeiros, criou programas de renda suplementar para famílias vivendo abaixo da linha da pobreza – depois unificados pelo presidente Lula, diminuiu a dívida e fez o Brasil crescer. Indíces nunca vistos de brasileiros cursando ensino médio e superior complementaram o governo de FHC, mais tarde manchado pela crise que assolou o mundo em 2000 e também o Brasil, que na época via uma recuperação forte de sua economia que foi tristemente interrompida por essa crise, além da altamente noticiada crise de energia brasileira, que quase deixou regiões inteiras sem energia -  como o Sudeste – devido ao crescimento sem planejamento do país.

            Então, em 2003, Lula assumiu o poder. A esquerda agora estava com o governo e o sindicalista que lutou em diversos conflitos de trabalhadores se via no lugar de seus opositores. Revolução vermelha? Não, impossível. Mais fácil foi continuar com o plano econômico que estava dando certo e que mais tarde resultou em uma estabilização e um sucesso grande, isso alinhado com o populismo que jogava estratégias eleitoreiras para cima dos pobres com os extremamente marquetados planos de aumento de renda para pobres – que, relembrando, já existiam no governo FHC. Lula se rendeu a estratégia econômica da direita e viu seu partido mergulhado em denúncias de corrupção – um episódio que lembrava o motivo do impeachment de Collor em ’92. Porém a situação aqui é outra: Lula pareceu imune aos ataques ao seu partido, sendo um dos políticos mais populares que o Brasil já viu. Populismo rende, e o PT sempre soube e sempre trabalhou nisso.

            Uma sucessão de escolhas certas e pela primeira vez um plano econômico bem planejado foram a causa do sucesso do Brasil. Alicerces monetários construídos em cima do que mais tarde seria uma economia forte e estável foram a razão do sucesso do Brasil. Não um governo, não um partido, não um político. Guardo aqui todo o meu respeito e admiração aos arquitetos do Plano Real, que finalmente raciocinaram e viram que se não houvesse mudança, o Brasil ia ir de novo a concordata. E dessa vez, seria ainda pior. A lama iria cobrir o verde-e-amarelo.

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Olá. Meu nome é Eduardo, eu tenho 15 anos e curso o ensino médio integrado ao curso técnico de química, na segunda fase do primeiro ano - no IFSC, Instituto Federal de Santa Catarina. A razão por eu estar fazendo este blog não é exatamente para receber milhares de visitantes nem comentários - e sim a oportunidade de discutir seriamente dois assuntos pelos quais eu demonstro muito interesse: economia e política. Sendo um adolescente e estando rodeado sempre por adolescentes, fica difícil desenvolver com qualquer um algum argumento longo sobre tais assuntos, e me encontrei numa posição difícil quando entrei no IFSC, porque nas primeiras fases não há geografia e história - nem sociologia ou filosofia -, que são, respectivamente, minhas matérias favoritas e as quais eu tenho mais facilidade. Então meu campo de discussão nesses dois assuntos ficou ainda menor, resumido a rápidas conversas com colegas que sempre terminava com eles querendo desesperadamente terminar a conversa, porque enquanto seus argumentos eram rápidos e resumidos, o meu se alongava e se aprofundava. 
É triste não poder conversar sobre isso, ainda mais no meu caso, já que eu sou tão adverso a abafar minhas próprias opiniões. Então, para poupar eles (e a mim mesmo de um cala a boca), resolvi fazer esse blog, que será sobre os dois assuntos interligados (eles sempre estão) e por assuntos individuais. 

Atenciosamente, Eduardo.